dmri

A importância da Doença Macular relacionada à idade

A Degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é a causa mais comum de perda visual severa na população acima de 50 anos nos países desenvolvidos. No Brasil, estima-se que uma população de aproximadamente 3 milhões apresentam DMRI. Este número deve ainda aumentar pois, com o envelhecimento populacional e a maior expectativa de vida, imagina-se que o total de casos no mundo possa até triplicar daqui a cinco anos (2025).

O que é degeneração macular relacionada a idade (DMRI)?

A mácula é uma região muito importante da visão. Ela é responsável pela percepção de detalhes e cores. Na DMRI ocorre alterações nessa região e pode, dessa forma, comprometer a visão principalmente nas atividades de leitura, fazer tricô e dirigir.

Quais são os tipos de Degeneração macular ?

A doença pode ser dividida na forma seca e úmida. Forma seca: É a forma mais comum correspondendo a 90% dos casos e pode ser dividida em precoce, intermediária e tardia. A forma precoce é diagnosticada pela presença de drusas médias que normalmente não têm perda de visão. A forma intermediária têm drusas grandes, alterações de pigmento na retina, ou ambos, nesta fase alguma perda de visão pode ser detectada. A forma tardia, além das drusas, pode haver perda de visão importante e danos à mácula (região central da visão) que corresponde à atrofia geográfica. Forma úmida: A forma úmida ou exsudativa ou neovascular, corresponde a 10% dos casos e indica estágio mais avançado da doença e está associado com rápida distorção e perda da visão central. Neste caso, existe formação de membrana neovascular subretiniana e consequentemente, pode levar a um vazamento de líquido e sangue resultando em edema macular. O dano pode ser rápido e severo, ao contrário do curso mais gradual de atrofia geográfica.

Quais são os fatores de risco ?

Essa doença resulta em uma combinação de fatores ambientais e genéticos. Os principais fatores de risco envolvidos são:
– idade acima de 50 anos,
– etnia caucasiana (pele clara),
– gênero feminino,
– hipertensão arterial sistêmica,
– hipermetropia,
– tabagismo,
– obesidade,
– ingesta aumentada de lipídios
– história familiar e certos pleomorfismos gênicos.

Quais são os sintomas?

Os estágios iniciais e intermediários da DMRI geralmente começam sem sintomas. É necessário um exame de mapeamento de retina para detecção da DMRI. O paciente pode ser informado e ensinado a utilizar a grade de Amsler (imagem 1) para observar mudanças na visão central e realizar um acompanhamento oftalmológico mais próximo. A doença é progressiva e, em estados mais avançados, está associado com danos e morte dos fotoreceptores (células que captam a luz e juntamente com o nervo óptico transportam até o cérebro para transformar em imagem), afetando a visão central.

Alguns dos sintomas podem ser:

– Mancha escura na visão central

– Visão distorcida, ondulada (imagem 2)

– Dificuldade na leitura. Necessidade de uma maior fonte luminosa para ler.

– A percepção das cores ficam com menor nitidez.

Como é feito o diagnóstico?

Inicialmente um exame de mapeamento de retina pode identificar alterações sugestivas de DMRI. A doença é bilateral porém pode ser assimétrica, ou seja, um olho pode estar mais acometido que o outro.

Portanto, o exame oftalmológico detalhado e realizado periodicamente, preferencialmente por um retinólogo, é fundamental para a detecção precoce e, instituir o tratamento adequado para impedir a piora da visão, preservar a qualidade de vida e a independência dos pacientes.

Como a tomografia de Coerência Óptica (OCT) pode ajudar?

Alguns exames complementares como a tomografia de coerência óptica (OCT) podem ser utilizados para chegar ao diagnóstico. Essa tecnologia ajudar a evidenciar a morfologia (forma) e a topografia (localização) de alterações características da doença. Portanto, contribui com o diagnóstico e, além disso, com o manejo da DMRI. Ela ajuda na indicação do tratamento e também o seguimento pois, permite que as mudanças estruturais sejam observadas com precisão, avaliando a resposta do tratamento proposto.

Como é o tratamento?

Atualmente, para a forma seca existem suplementos específicos de vitaminas e antioxidantes para retardar a progressão da DMRI. Já na forma úmida, o tratamento com injeções intra-oculares de anti-VEGF para combater o estímulo angiogênico é indicado.
Alimentos com coloração verde escuro tais como brócolis, couve, espinafre, kiwi são ricos em luteína e zeaxantina portanto, podem auxiliar no controle da doença.

Perspectivas futuras

Ademais, atualmente, existem pesquisas através da análise de DNA em que cientistas estão identificando diferenças nos genes que afetam o risco de DMRI e, com isso, tentam identificar os principais caminhos bioquímicos envolvidos na doença e buscam desenvolver terapias farmacológicas que possam interromper essas vias. Há também pesquisas na tentativa de regenerar tecidos destruídos (com células tronco). Tudo isso ainda é um grande desafio pois envolve células nervosas da retina.

Dr. Aristófanes Canamary Júnior.
Retina – Vítreo – Úvea
CRM – CE 13.188

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